quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Empresas que disputam contrato do FX-2 detalham propostas para transferência de tecnologia
Rodolfo Stuckert - Agência Câmara
Audiência reuniu representantes das três empresas que disputam concorrência do FX-2
Em audiência pública realizada hoje (14) na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, as três empresas que participam da concorrência internacional para fornecimento de 36 caças supersônicos ao governo brasileiro detalharam suas propostas para transferência de tecnologia ao País.

O quesito é considerado um dos mais importantes do Programa FX-2 e pode beneficiar empresas nacionais ligadas à indústria aeronáutica, como a Embraer.

A estimativa é que o governo irá investir pelo menos R$ 4 bilhões na modernização da frota da FAB (Força Aérea Brasileira). Três empresas disputam a comercialização dos aviões --a francesa Dassault, com a aeronave Rafale, a sueca Saab, com o Gripen NG, e a norte-americana Boeing, com o F-18 Super Hornet.

A audiência pública, que contou com a participação de diretores e executivos das três companhias, foi sugerida pelo deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), membro titular da Comissão de Ciência e Tecnologia.

Participaram da audiência, que teve duração de quatro horas e meia, o vice-presidente da Boeing, Robert E. Gower, o diretor da Saab no Brasil, Bengt Janér, o vice-ministro de Comércio Exterior da Suécia, Gunnar Wieslander, os diretores da Dassault Jean-Marc Merialdo e Jean-Louis Montel, além do professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp, André Tosi Furtado e o diretor-presidente da AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil), Walter Bartels.

Na avaliação do deputado Emanuel Fernandes, a audiência foi uma oportunidade única de confrontar as propostas das três empresas concorrentes para a transferência de tecnologia. Emanuel lamentou apenas o fato de nenhum representante do governo ter comparecido ao debate.

"As empresas concorrentes foram questionadas e fizeram suas apresentações. No entanto, o governo brasileiro, que é o principal interessado e o principal demandante por essa tecnologia, não foi representado. Sem essa participação, não ficamos sabendo quais são as principais metas e expectativas do governo em relação a item fundamental da concorrência", afirmou Emanuel.

Foram convidados oficialmente pela Comissão de Ciência e Tecnologia para a audiência pública os ministros da Defesa, Nelson Jobim e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Veja a seguir as propostas das três companhias.

Boeing promete transferir tecnologia e montar caças no Brasil

O vice-presidente da Boeing, Robert Gower, disse que os EUA vão transferir toda tecnologia do caça F-18 Super Hornet para o Brasil, se o País resolver comprar os 36 caças reaparelhar a Força Aérea Brasileira da empresa americana.

Concorrem com o Super Hornet, o Gripen, da sueca Saab, e o Rafale, da francesa Dassault. Segundo Gower, a aeronave da Boeing é mais moderna, econômica e segura das três.

A Boeing também prometeu transferir tecnologia para manutenção dos Super Hornet e montar os aviões no Brasil. As peças das aeronaves serão importadas.

A decisão norte-americana de transferir tecnologia é inédita. Desde o fim da 2ª Guerra Mundial, os EUA não transferiam tecnologia de nenhum equipamento militar em operação para outro país, no máximo ofereciam parceria para manutenção e uso. O congresso americano já aprovou a transferência de tecnologia.

A Boeing também se comprometeu a construir um laboratório no Brasil para desenvolver tecnologia para construir aviões invisíveis a radares.

Tecnologia de caça francês não envolve outros países, diz Dassault

O diretor da Dassault International do Brasil Ltda., Jean-Marc Merialdo, informou hoje, em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia, que a França não necessitará de autorização de nenhum outro país para vender caças Rafale ao Brasil, pois domina toda a tecnologia para criação e evolução desses aviões.

Merialdo disse ainda que o governo francês autorizou a Dassault a vender o Rafale e os sistemas de manutenção do avião com transferência de 100% da tecnologia.

O debate, cujo objetivo é avaliar as garantias que cada empresa oferecerá para a transferência de tecnologia com a venda dos aviões.

Empresa sueca diz que transferirá toda tecnologia pedida pelo País

O diretor da Saab no Brasil, Bengt Janér, disse que a empresa irá transferir toda a tecnologia pedida pela Aeronáutica e pela Embraer se o País optar por comprar os caças da Suécia. Além disso, todas as aeronaves que serão compradas pelo governo brasileiro serão produzidas inteiramente no País.

A Saab oferece também parceria com empresas brasileiras para o desenvolvimento das aeronovaes suecas. Pela proposta de Janér, 80% da estrutura física de cada aeronovave será construída no Brasil, inclusive das que serão vendidas na Suécia. Além disso, toda parte eletrônica dessas aeronaves será produzida no Brasil.

Os softwares serão produzidos em conjunto pela Saab e pela Embraer, o que significa que a empresa brasileira poderá, depois, produzir esses softwares sem a presença da Saab. A empresa sueca também se comprometeu a instalar no país um laboratório de tecnologia supersônica e outro para desenvolver tecnologia eletrônica.

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